A Rede Globo, a Babilônia e a Pérsia

Conheço bem o pastor Gustavo Bessa e a pastora Ana Paula Valadão Bessa. Tive a feliz oportunidade dada por Deus de conviver com eles (embora não tão intimamente quanto eu gostaria) durante muitos anos em Belo Horizonte. Além dessa convivência, tenho para com eles uma dívida de gratidão impagável, devido ao incondicional apoio que me deram em momentos difíceis do meu ministério nas Alterosas. Até onde é possível saber-se isso, sei que são pessoas de Deus, consagradas ao reino de Deus, dedicadas à salvação dos perdidos.

Entretanto, não apoio o envolvimento da pastora Ana Paula com a Som Livre e com a Rede Globo. Primeiro, porque a graça de Deus na vida dela torna desnecessária qualquer ajuda humana e também porque ela sozinha (mas não sem a Graça) já demonstrou ser capaz de juntar centenas de milhares de pessoas para ouvi-la. Deus a tem usado e a Globo não tem nada a ver com isso.

Entendo essa investida da Globo como um laço, uma armadilha. É a velha serpente tentando seduzir a noiva de Cristo – e por “noiva” não me refiro apenas à pastora Ana Paula, mas à igreja do Senhor. A história demonstra sobejamente que toda vez que a igreja capitulou diante dos poderes seculares, os prejuízos para nós foram grandes. Isto, obviamente, nunca impediu – e jamais impedirá – que Deus continue agindo em todas as coisas para o bem dos que o amam e que ele transforme o mal em bem. Como escreveu Jó, os planos de Deus nunca podem ser frustrados. O decreto de Deus foi escrito antes da fundação do mundo e nada pode alterá-lo – e também nada pode ajudá-lo.

O pastor Gustavo escreveu no blog da Ana Paula um artigo intitulado: “A Rede Globo, a Babilônia e a Pérsia”, no qual compara a Globo a Ciro e pergunta se Deus não teria poder para usar a Rede Globo para que a mensagem do evangelho fosse proclamada, o nome de Jesus fosse levantado e a identidade da igreja fosse reafirmada. A única resposta a essa pergunta retórica, é: “Sim, pode”. Claro que pode; mas a questão não é se Deus pode. Será que Deus quer?

No seu artigo, o pastor Gustavo afirma que Ciro não pensava religiosamente, mas sim politicamente. O texto bíblico, porém, me leva a ter outra opinião e, respeitosamente, quero declará-la: “O Senhor, o Deus dos céus, deu-me todos os reinos da terra e designou-me para construir-lhe um templo em Jerusalém, na terra de Judá” (2 Cr 36.23). Ciro sentia ser a reconstrução do templo uma ordem de Deus. A bem da verdade, naquela época remota, não havia essa dicotomia religião-estado que há em nossos dias. Os reis se sentiam emissários divinos, quando não se sentiam deuses mesmo. O versículo anterior declara que Deus tocou no coração de Ciro; em Esdras 1.1, “o Senhor despertou o coração de Ciro”; em Isaías 44.28, Deus nomeia Ciro como “meu pastor”. Além disso, a ação de Ciro foi “para que se cumprisse a palavra do Senhor anunciada por Jeremias” (2 Cr 36.22).

Quanto à Globo, não há nada parecido com Ciro. Deus não deu à Globo, como a Ciro, “todos os reinos da terra” (2 Cr 36.23); não depende da Globo, como dependia de Ciro – humanamente – a reconstrução do templo de Deus. Esse templo, a igreja, está sendo construído sobre a Rocha e as portas do inferno não prevalecerão contra ele. A Globo não tem, dados por Deus, como tinha Ciro, os recursos necessários para a reconstrução. Tais recursos são do Espírito Santo e estão nas mãos da igreja, portanto, nas mãos da pastora Ana Paula e do Diante do Trono.

Se, como escreveu o pastor Gustavo, a intenção da Globo é meramente comercial, porque os milhões de evangélicos se tornaram uma força consumidora, e a Globo tem o propósito de conseguir ganhos de audiência, por que, pergunto abismado, a igreja tem que fazer parte dessa estratégia, fortalecendo essa empresa e dando-lhe condições de continuar veiculando o que de mais imundo existe: adultérios, falcatruas, homossexualismo, prostituição, feitiçaria, mentira, idolatria? A reconstrução do templo em Jerusalém não visava o fortalecimento da Babilônia, mas a sua destruição, ou pelo menos, a destruição do seu poderio.

Se o Senhor Jesus fosse convidado para cantar na Globo, ele iria? Ele nunca se associou aos poderosos de sua época, nunca transigiu diante de suas investidas, nunca cedeu. Ao contrário, ele sempre se posicionou ao lado dos excluídos, dos marginalizados, tanto pelo poder político quanto pelo poder religioso.

A Igreja não precisa da Globo para reafirmar a sua identidade; a nossa identidade nós a temos em Cristo, o Senhor. Além disso, gozando das benesses da Globo (do mundo) nenhum cristão poderá denunciar as suas maldades. A amizade com o mundo é inimizade contra Deus.

Espero que Cristo, que é a Luz do mundo e que como Deus habita na luz inacessível, ilumine a todos os envolvidos nessa saga. No fim, ele será glorificado, ainda que permaneçamos no erro.

(Leia o artigo do Pr. Gustavo AQUI)

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+Bispo José Moreno

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4 comentários sobre “A Rede Globo, a Babilônia e a Pérsia

  1. Louvado seja o SENHOR por este esclarecimento histórico, bíblico, teológico, e principalmente espiritual.
    Glórias e muitas glórias a DEUS, e que a graça, a paz e a prosperidade do SENHOR sejam multiplicadas em tua vida e ministério de maneira rica e abundante!
    +bispopedrobittencourt.

  2. Mila Castanheira( artístico) disse:

    A cultura “Gospel” do consumo e da mídia trouxe a tona a dimensão do entretenimento como valor e nela embutida a do prazer. Todo cuidado é pouco…

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