A pregação de João Batista

Em um momento histórico bem definido — “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da Itureia e de Traconites, e Lisâneas tetrarca de Abilene, sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto” (Lc 3.1-2).

A mensagem de João era bem objetiva e direta: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3.2) Aos que iam ao seu encontro no deserto, ele pregava “o batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Lc 3.3). Estes eram homens de vários lugares: Jerusalém, Judeia e toda a circunvizinhança do rio Jordão, os quais “eram batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mt 3.5-6).

João também tinha plena consciência de sua identidade e missão; ele sabia quem era e o que devia fazer: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3.3). Tempos depois, quando lhe perguntaram se era o Cristo, ou Elias, ou algum profeta, respondeu incisivamente que não. Diante da insistência: “Que dizes de ti mesmo?”, tornou a identificar-se com a profecia de Isaías 40.3: “Eu sou a voz do que clama no deserto” (Jo1.19-27). Ele era coerente. Como ressaltei em meu livro Desperte o Poder do Alto, “ele não foi tomado de tola humildade para dizer: ‘Quem sou eu, para ser a voz do que clama no deserto?'; como também não foi presunçoso para querer ser mais do que era. Ele disse com segurança: ‘Eu não sou o Cristo’. João Batista era a voz”.

Arrependimento era a mensagem central de João Batista. Arrependimento significa algo como pensar de modo diferente. Do ponto de vista ético, é uma profunda insatisfação causada por admitir que se violou uma lei moral, seguida da disposição de aceitar livremente o castigo e de evitar futuras violações. O arrependimento reconhece que Deus tem razão, que ele é justo em todos os seus caminhos (Sl 145.17). Como era o precursor do Messias, João apontava com aquela pregação para a nossa necessidade de aceitar o castigo, conforme o preceito bíblico: “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Is 53.5). A relação de Cristo conosco é vicária; ele é o nosso substituto quanto às penalidades da lei que foi violada, porque é o único pagamento aceito. Qualquer outra tentativa de justificar-se perante Deus é mera religiosidade, sem qualquer valor espiritual. Mas a responsabilidade de evitar novas violações é nossa, de cada um de nós. A exortação é clara: “Produzi frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8). O arrependimento deve ser seguido de uma vida compatível. Isto fica exemplificado em Lucas 3.10-14, nas respostas dadas por João:

“Ao que lhe perguntavam as multidões: Que faremos, pois? Respondia-lhes então: Aquele que tem duas túnicas, reparta com o que não tem nenhuma, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo. Chegaram também uns publicanos para serem batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos nós de fazer? Respondeu-lhes ele: Não cobreis além daquilo que vos foi prescrito. Interrogaram-no também uns soldados: E nós, que faremos? Disse-lhes: A ninguém queirais extorquir coisa alguma; nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo”.

João não falava de rituais e liturgias que, embora importantes, não são fundamentais no cultivo da vida espiritual. Ele falava de solidariedade, de justiça, de nova vida, novos rumos, novos ideais. Meu desejo sincero é que esta palavra encontre guarida nos nossos corações e que cada um de nós produza frutos dignos de arrependimento.

Deus o abençoe rica e abundantemente!

+Bispo José Moreno

11.4063-8861 / 31.4062-7631 — http://www.anglicanalivre.org.br bispo@anglicanalivre.org.br

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